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  • Foto do escritorMarcela Carvalho

Será que vivemos um excesso de telas em nossas vidas?


Este parece um texto contraditório: uma psicóloga que oferece atendimento online questionar o uso das telas! Pode parecer, mas não há nada de contraditório! Fazer uso consciente é diferente de ser usado pelo algoritmo para que você compre coisas, siga pessoas, leia notícias mentirosas, não saia mais de casa pelo prazer de viver tudo o que há para viver apenas clicando o botão ou rolando a barra de rolagem do Smartphone.


Cada vez mais nos deparamos com uma ausência de nós mesmos e daqueles com quem convivemos. Estamos tão próximos e tão distantes uns dos outros. As telas, que nos proporcionam aprendizados e experiências singulares, são as mesmas que, em excesso, nos faz ficar ausentes na sala de jantar em família, no almoço de domingo. Por dedicarmos tanto do nosso tempo aos smartphones, nos falta tempo para conversar com os nossos filhos, com nossos companheiros de vida... estamos ausentes nas conversas cotidianas e corriqueiras, e pior, muitas vezes ficamos ainda mais presos ao trabalho.


De outras vezes, tentamos nos manter ocupados e acompanhados, mas se não pararmos somos levados de click em click, por horas e horas do nosso dia e noite... e a sensação de vazio que nos assola após esse tempo de exposição? O tempo voa, e já é hora de dormir, nossa! Já é hora de almoçar, já é hora de buscar as crianças na escola... e o que fizemos? Rolamos a barra infinita de histórias de vidas alheias, geralmente, nos trazendo a sensação de que a vida do outro é melhor do que a nossa. E aquela sensação de vazio somada à sensação de fracasso se potencializa dentro de nós. E o que fazemos para isso tudo passar? Voltamos a rolar a barrinha dos nossos Smartphones...


Adela Gueller[1] (2017) nos diz que “a tela afasta sentimentos de solidão, angústia, raiva, culpa ou qualquer outro estado afetivo que gere tensões psíquicas e iniba fantasias e medos.” (p.66). A autora afirma que “O acesso ao mundo virtual nos dá a ilusão de um domínio facilitado, o que poupa a subjetividade do trabalho de construção. Não nos faz esperar, alimenta nossos olhos, não nos incomoda com perguntas, nem discorda de nossas opiniões. Oferece tudo ao alcance do polegar.” (p.67).


Assim, crianças, adolescentes, adultos e pessoas idosas... estamos todos tomados pelos Smartphones... encantados por toda essa tecnologia... que gera prazer, nos afasta de conflitos do mundo real e responsabilidades, nos coloca em contato com pessoas de todos os lugares do mundo, nos traz respostas imediatas.... entre tantas facilidades. Porém, precisamos nos atentar, que por sermos humanos “precisamos abrigar dentro de nós ideias conflitantes e sentimentos contraditórios, próprios da nossa espécie, e que não se resolvem apertando um botão.” (Gueller, A. p.73)


E como fazer para parar? Será que conseguimos voltar atrás?


Não há como voltar atrás, mas há como fazer diferente. Há como readequar os hábitos e rotinas, há como parar de fugir das dores, da solidão, do cansaço, das angustias que o viver nos provoca, e nos colocarmos ativamente em movimento. Por exemplo: não deixe os algoritmos te guiarem... se gosta de acompanhar determinada pessoa no Instagram, clique intencionalmente; use a ferramenta de “tempo de uso” para te auxiliar nesse processo de diminuição do uso das telas. Crie programas em família que não haja a necessidade da interação virtual. Leiam histórias com livros de papel, joguem jogos de tabuleiro, conversem uns com os outros, deem uma caminhada ao ar livre aos finais de semana, cozinhem juntos. Pequenos passos levam a grandes mudanças. O importante é dar o primeiro passo!


E se você perceber que, mesmo tendo criado novos hábitos, você ainda tem priorizado as telas ao convívio social, tem se prejudicado nos estudos por não conseguir focar, se não tem conseguido silenciar o grupo do trabalho, se não tem tido tempo de qualidade com sua família, não tem saído de casa para sentir o sol e o vento, procure ajuda profissional.




[1] GUELLER, Adela Stoppel de. Droga de celular! Reflexões psicanalíticas sobre o uso de eletrônicos. In: BAPTISTA, Angela e JERUSALINSKY, Julieta (Org.) Intoxicações Eletrônicas. O sujeito na era das relações virtuais.Salvador: Ágalma, 2017.

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